Mea culpa, mea maxima culpa!
Por algumas razões que não desejo compartilhar aqui, acabei ficando mais de um mês sem postar nada (algo que definitivamente não estava nos meus planos quando da criação deste blog). Felizmente estou de volta, pois, como dito em posts anteriores, para mim escrever rima com prazer.
Era minha intenção homenagiar nós, mulheres, por ocasião do dia 8 de março; entretanto o referido texto será postado agora, em abril, muito em razão da aproximação do meu aniversário. Estou quase rompendo a barreira dos trinta, prestes a fazer parte de um seleto universo que serviu de inspiração a Honoré de Balzac, em A Mulher de Trinta Anos. Nos mais remotos tempos desta minha curta vida, eu pensava que três anos fossem uma eternidade. Hoje, mais madura e com mais compromissos, sei que a vida é um suspiro e um triênio voa...pena!
Tacitamente conservador, Balzac corrobora a visão da fragilidade, que ainda hoje é uma noção culturalmente aceita acerca da condição feminina (mulher como o sexo frágil). O papel que desempenha na reprodução da espécie, a maternidade, fez com que a mulher fosse socialmente identificada a partir de características que giram em torno do biológico, como menor força física e baixa estatura, por exemplo (daí a fragilidade). A confusão biológico x social serve para justificar a necessidade de proteção, a circunscrição ao espaço doméstico, a subalternidade e, por fim, o status inferior da mulher em nossa sociedade. Configurou-se, dessa forma, uma divisão sexual do trabalho, com o homem tendo hegemonia no espaço público e identificado com a cultura; ao passo que a mulher limitou-se (ou melhor, foi limitada) às atividades concernentes à reprodução, ao espaço privado, identificada com a natureza.
O conceito de gênero surgiu para mostrar o binarismo homem x mulher, procurando denunciar a opressão sofrida pelas mulheres ao longo da história. Sua bandeira de luta consiste na construção do sujeito feminino, não apenas limitado ao âmbito das relações domésticas, mas sujeito integral da vida política e social. Contudo, o gênero, ao trazer à tona os processos ideológicos responsáveis por naturalizar a condição feminina, também aponta a possibilidade de mudança, dada a historicidade dos valores socialmente aceitos acerca do que é ser homem ou mulher, ou seja, tais valores não são fixos e variam com o tempo. A história é um construto social, pronta para ser mudada. É o que todas nós, independentemente da classe, esperamos (e merecemos).
Por algumas razões que não desejo compartilhar aqui, acabei ficando mais de um mês sem postar nada (algo que definitivamente não estava nos meus planos quando da criação deste blog). Felizmente estou de volta, pois, como dito em posts anteriores, para mim escrever rima com prazer.
Era minha intenção homenagiar nós, mulheres, por ocasião do dia 8 de março; entretanto o referido texto será postado agora, em abril, muito em razão da aproximação do meu aniversário. Estou quase rompendo a barreira dos trinta, prestes a fazer parte de um seleto universo que serviu de inspiração a Honoré de Balzac, em A Mulher de Trinta Anos. Nos mais remotos tempos desta minha curta vida, eu pensava que três anos fossem uma eternidade. Hoje, mais madura e com mais compromissos, sei que a vida é um suspiro e um triênio voa...pena!
Tacitamente conservador, Balzac corrobora a visão da fragilidade, que ainda hoje é uma noção culturalmente aceita acerca da condição feminina (mulher como o sexo frágil). O papel que desempenha na reprodução da espécie, a maternidade, fez com que a mulher fosse socialmente identificada a partir de características que giram em torno do biológico, como menor força física e baixa estatura, por exemplo (daí a fragilidade). A confusão biológico x social serve para justificar a necessidade de proteção, a circunscrição ao espaço doméstico, a subalternidade e, por fim, o status inferior da mulher em nossa sociedade. Configurou-se, dessa forma, uma divisão sexual do trabalho, com o homem tendo hegemonia no espaço público e identificado com a cultura; ao passo que a mulher limitou-se (ou melhor, foi limitada) às atividades concernentes à reprodução, ao espaço privado, identificada com a natureza.
O conceito de gênero surgiu para mostrar o binarismo homem x mulher, procurando denunciar a opressão sofrida pelas mulheres ao longo da história. Sua bandeira de luta consiste na construção do sujeito feminino, não apenas limitado ao âmbito das relações domésticas, mas sujeito integral da vida política e social. Contudo, o gênero, ao trazer à tona os processos ideológicos responsáveis por naturalizar a condição feminina, também aponta a possibilidade de mudança, dada a historicidade dos valores socialmente aceitos acerca do que é ser homem ou mulher, ou seja, tais valores não são fixos e variam com o tempo. A história é um construto social, pronta para ser mudada. É o que todas nós, independentemente da classe, esperamos (e merecemos).
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